sexta-feira, 18 de agosto de 2017

VI MOSTRA DE REPERTÓRIO - 11 Anos Maracangalha na Rua



VI MOSTRA de REPERTÓRIO
O Teatro Imaginário Maracangalha completa 11 anos, e para comemorar realiza a VI Mostra de Repertório - de 21 a 26 de agosto - apresentando seus espetáculos de teatro de rua, intervenções, performances, agitprop e o festivo Cortejo de São Genésio, o padroeiro d@s atrizes/atores e musicistas/músicos.
São 11 anos de muita luta, muita arte e muito amor. 
Estamos nas ruas compartilhando os frutos do nosso trabalho continuado.

Vem... Tem arte para todo mundo!
Vem... Vamos levantar poeira!
Evoé!






sábado, 22 de julho de 2017

SÃO JOÃO de MARACÁ


SalveSalve São João de Maracangalha de todas as Santas e Santos de todos os lugares! 
E a festa é no olho da rua, no Taquarussu. Fogueira, rangos feito pela comunidade, bandeirolas, brincadeiras, quadrilha muito louca, beijinho doce e nem sei mais o que de tão loko que já tô... Ahhhhh vamos ter uma visita muito especial dos comparsas lá de Pernambuco do Mamulengo da Folia que trás prá gente o melhor forró pé de serra que é o TRIO AGRESTINO. A formação do Trio é desde de 1969, que teve inicio no programa Carlos Diniz, apelidado pelo Rei do Baião Luiz Gonzaga, de príncipe do forró. Quer mais?tem também a discotecagem linda do DJ João Menino, Nando Mantoni mandando forró, Anarco Charanga do Maraca e muito mais. Vem ver, dançar pular fogueira até se acabar de alegria E de quebra a melhor cerveja, geladinha e no preço legal do Bar do Greg, eita bar que tem história. Quem foi na Subaquera da Bahia já sabe o sabor do lugar. Um salve a comunidade do Taquarussu que vai prepar os rangos deliciosos com sabor da comunidade. Quem quiser participar com alguma intervenção, apresentação, número etcetc... um passo a frente e fala com a gente. Agora sai de casa e vem, é de graça, na rua, é prá todo mundo, não é transgênico, é popular e livre! Fogo no congá!
Entrada gratuita


domingo, 16 de julho de 2017

Crítica do Tekoha no FIT Rio Preto

O Real e a História no Teatro


A peça Tekoha – Ritual de vida e morte do deus pequeno, do grupo Teatro Imaginário Maracangalha, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, conta a história do assassinato do líder guarani Marçal de Souza em 1983, episódio recorrente da violência de estado contra grupos sociais marginalizados. Em uma praça, o grupo reúne os espectadores em círculo, fazendo alusão à dinâmica de uma assembleia. Os atores apresentam de início o seu posicionamento político, colocando-se contra a repressão policial e a favor da manifestação do povo que luta pelos seus direitos. 


Ao contar a história de Marçal de Souza, o grupo revela o quanto a Igreja e a Justiça foram responsáveis pelo curso dos acontecimentos. A peça sublinha a sua intenção de se colocar em defesa daqueles que costumam ter suas vozes caladas à força quando chama a atenção para o fato de que Marçal, que foi morto a tiros, levou um tiro na boca. A enunciação de várias manchetes de jornal que relatam crimes como este e ainda outros, como agressões homofóbicas e atitudes autoritárias de administrações públicas, tem forte carga de denúncia. Colocando lado a lado diferentes notícias de violência, a peça nos convida a ver que não se tratam de casos isolados, mas de um projeto de extermínio e opressão de uma parte da sociedade, que ecoa uma continuidade do projeto colonizatório. Em determinado momento da peça, uma das atrizes nos lembra de que não há  "descobrimento" do Brasil, que o continente americano foi invadido e saqueado. 


Sem dúvida, a proposta do espetáculo – que em nenhum momento fica em cima do muro – é relevante e os artistas se dedicam à comunicabilidade de um modo generoso. É de grande valor a escolha por falar da história do Brasil em praça pública, e a decisão de falar da condição indígena, do contínuo massacre que exterminou e continua exterminando tribos inteiras, é sempre urgente e necessária. 


Nos últimos anos, temos visto diversos espetáculos que podemos situar dentro do que se tem chamado "teatros do real". Artistas de diferentes partes do mundo têm assumido a responsabilidade pela produção de pensamento sobre processos históricos, apontando formas diversas de dar continuidade à ideia de teatro documentário que conhecemos principalmente pelo legado do dramaturgo alemão Peter Weiss. A pesquisadora estadounidense Carol Martin, que tem importantes livros publicados sobre o assunto, fala que esse tipo de teatro contemporâneo está "encenando historiografia". As peças que encenam historiografia nos mostram diferentes noções de escrita da história. Algumas são mais complexas, não se prendem à dinâmica das narrativas causais, lançando mão de dispositivos ficcionais que tensionam a expectativa de verdade que temos dos discursos historiográficos oficiais. Outras seguem mais à risca a noção de história entendida como relação de nomes, datas e anedotas, sem ousar na linguagem. 


Tekoha está mais próximo do segundo caso, pois a dramaturgia (assinada coletivamente pelo grupo) se pauta por uma dinâmica simples de alternar momentos de narração, em que o elenco se dirige diretamente ao público, e de dramatização, em que os atores e atrizes se caracterizam como personagens da história narrada e dialogam entre si. Podemos dizer que a dramaturgia de Tekoha é mais didática, que aposta mais na informação transmitida do que no engajamento intelectual e afetivo do espectador. 


Ao final da apresentação, os artistas esclarecem que não estão fazendo a peça para comover, mas para mobilizar, o que mostra um posicionamento ético definido. De fato, a peça não espetaculariza a morte de Marçal de Souza. Há na dramaturgia, o que poderíamos chamar de ética do cuidado, uma expressão usada pelo pesquisador espanhol José A. Sánchez na lida com as práticas do real no teatro contemporâneo. 


A programação de 2017 do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto traz outros espetáculos que podem ser pensados como teatros do real, ou até como formas contemporâneas – nada cânonicas – de teatro documentário;  ou ainda espetáculos que de algum modo agenciam produção e transmissão de saber, que estão comprometidos com o mundo em que vivemos. Jacy, peça do Grupo Carmin, de Natal, também trata, embora indiretamente, da história do Brasil. O Mapa Teatro, da Colômbia, veio apresentar Los Incontados – Um tríptico, a última parte de uma trilogia que reflete sobre a violência na Colômbia. Projeto brasil articula discursos, imagens de corpos e canções que são ou podem ser formadores de uma ideia complexa de Brasil. Na Cena Rio Preto, a peça da Cia Cênica, Terra Abaixo Rio Acima, que tem mais afinidades de linguagem com Tekoha, se propõe a contar parte da história da formação da cidade. São diferentes formas de investigar a linguagem do teatro e diferentes formas de engajar o espectador na reflexão que está sendo proposta. 


A peça do grupo de Campo Grande poderia fazer um convite mais contundente à desobediência civil se experimentasse, no espetáculo, mais desobediência às convenções do teatro. 

Por Daniele Avila Small (RJ) 
Doutoranda em Artes Cênicas pela UNIRIO, crítica, dramaturga e diretora de teatro. Idealizadora e editora da revista eletrônica Questão de Crítica, integrante do coletivo Complexo Duplo e da DocumentaCena – Plataforma de Crítica.


Fotos: Danilo Vieira



























domingo, 9 de julho de 2017

Galpão Cultural Lua Barbosa: 20° Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua

20° Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua

Segue a carta produzida no XX Encontro RBTR - Rede Brasileira de Teatro de Rua realizado no Galpão da Lua em Presidente Prudente de 29/06 à 02/07/2017:


20° Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua
Galpão da Lua - Presidente Prudente/SP
02 de julho de 2017
Que cidade queremos?
Queremos um mundo possível...
Cidades desmilitarizadas, desprivatizadas. Vamos continuar bancando as armas que são produzidas para se virar contra nós?
Parece que não mais queremos lutar no ringue deste Estado
Nem apresentar em seus palcos,
Nem fazer mais leis para nos enquadrar nesse seu labirinto.
Falaram expropriação?
Direito à verdade. Não queremos justiça militar, nem democracia burguesa e seus pacotes de maldades.
Sabemos que por trás da polícia e das migalhas que nos dão e nos tiram está o projeto de Capital e suas grandes corporações privatizando as ruas e nos jogando às margens.
Mas, às margens também encontramos tantos outros marginais: Mulheres, indígenas, população negra, refugiados, ambulantes, pessoas em situação de rua, usuários de Crack, LGBT, sem terras, secundaristas, periféricos, artistas de rua.
Travesti não é bagunça!
E não queremos fechar portas,
Queremos derrubar as paredes que sustentam as portas!
E não queremos fechar portas,
Queremos derrubar as paredes que sustentam as portas!
E romper as fronteiras...
Mas não romantizemos a rua não!
Precisamos tomar as ruas para que a burguesia entenda que ela precisa nos devolver o que nunca foi nosso.
Mas não romantizemos o coletivo não!
Precisamos também derrubar as paredes que estão em nossos ouvidos e olhar as nossas atitudes cotidianas.
Qual a unidade de pensamento e de ação que podemos construir a partir de nossos relatos e para além de nossas controvérsias?
Vivemos tempos de partidos. Mulheres e homens partidos. Nem pessoa física, nem pessoa jurídica. Pessoa. Pessoas diversas num coletivo de coletivos.
Se parece estarmos fadados ao amadorismo e não garantir com a arte nossa sobrevivência só nos resta a resistência.
Existir é resistir.
É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.
A cidade que queremos apoia o Galpão da Lua
A cidade que queremos exige justiça ao assassinato do artista uruguaio Matias Gallindez
A cidade que queremos exige 1% do orçamento para a cultura de Osasco
A cidade que queremos Descongela a Cultura Já em São Paulo
A cidade que queremos respeita as mulheres na escola, nas artes e nas ruas
A cidade que queremos repudia a retirada dos artistas da Ocupação no hospital Psiquiátrico São Pedro em Porto Alegre
A cidade que queremos repudia a junção da Secretaria de Cultura com a de turismo em Canoas/RS
A cidade que queremos é contra o desmonte da arte e da cultura e luta por um programa de ações continuadas na Secretaria de Cultura de Fortaleza/CE
A cidade que queremos é contra a lei que proíbe apresentações artísticas nos semáforos e nas ruas de São José dos Campos/SP
A cidade que queremos apoia a ocupação MARL em Londrina/PR e repudia o projeto de lei 02/17 que visa criminalizar todas as ocupações do município.

A cidade que queremos exige a verdade sobre o assassinato de Luana Barbosa

Galpão Cultural Lua Barbosa: 20° Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua: Segue a carta produzida no XX Encontro RBTR - Rede Brasileira de Teatro de Rua realizado no Galpão da Lua em Presidente Prudente de 29/06 à...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

MARACANGALHA no LIVRO DIDÁTICO NACIONAL

O Teatro Imaginário Maracangalha é citado como referência em teatro independente e político no Brasil, pois estamos de graça, em todos os cantos, nas ruas, feiras e praças, quebradas e chãos batidos de terra, nas bocas e olhos dos que tem fome de comida de carinho e de arte, e por estar para qualquer um e em qualquer parte estamos também  no livro didático Projeto Mosaico - Arte, do Plano Nacional do Livro de Didático, do Ministério da Educação.