DIÁRIO DE BORDO - Areôtorare


 







Teatro Imaginário Maracangalha, 17-10-2012






Dia 17 de outubro de 2012 aconteceu o quinto ensaio de preparação de elenco para o espetáculo Areôtorare. Iniciamos a preparação com 15 minutos de alongamento individual. Depois, durante 30 minutos, ainda como aquecimento, foi proposto um jogo em grupo para estimular a percepção do eu, do outro e do grupo no espaço cênico, no qual os atores e atrizes primeiramente trocavam olhares gingavam em duplas depois giravam e deixavam o corpo fluir no espaço cênico, após foi proposto que, além de trocar olhares, aos atores e às atrizes gingarem com as costas em contado com as costas do outro, depois testa com testa, bunda com bunda e por último joelho com joelho.
Após o aquecimento tem início o “jogo da procura” no qual cada ator e atriz buscava por uma pessoa imaginária, a essa procurar era sugerido sentimentos, velocidades, distâncias e planos (alto, médio e baixo). Ao encontrar essa pessoa imaginária os atores e atrizes a observavam, seu jeito, suas roupas etc. Em seguida foi sugerido a procura de um objeto a critério da imaginação do ator ou atriz, também trabalhando dessas distâncias e planos, nesse momento a procura começa a se tornar coletiva, todos procurando o mesmo objeto.
Terminado o “jogo da procura” começa o exercício coletivo com música, nesse exercício os atores e atrizes dançam no início da música e constroem narrativas conforme a música segue. Primeiramente o coletivo compõe narrativas a partir de músicas sem letras, a essa música só é atribuída um verbo no qual se desenvolveria a narrativa. Depois as narrativas passaram a ser compostas a partir das letras das músicas. Nesse exercício foram exploradas diversos planos, alto, médio e baixo, além de elevações, em duplas, em grupo, por impulso ou com ajuda, movimentos rápidos e lentos, robotizados, criou-se também um barco e um porto, um trem e um estação, brincadeiras infantis, relógio humano, giros em duplas, cortejos militares, festivos e sagrados.
O jogo da procura foi direcionado para a busca do poeta Lobivar Matos, o que ele procurava? Assim como os verbos viver, falar, amar, etc. usados como referência das narrativas com música. A intenção do verbo proposto na música também é observar o reação dos atores e atrizes diante de uma provocação, como criam a partir dessa provocação. Esses exercício duraram 3h15min.

Moreno Pereira Mourão




Teatro Imaginário Maracangalha, 09-10-2012.


Primeiros 15 minutos de alongamento individual.
Evolução do processo / progressivo
Segundo momento: aquecimento em grupo, se olhando e movimentação corporal,
Terceiro momento exercício de equilíbrio: andando, imaginando carregando na cabeça; copo de vidro, livro, tijolo, garrafa de vidro e garrafa de plástico. (possibilitando o equilíbrio e a consciência corporal)
Quarto momento, exercício com divisão de três grupos; processo imaginário de construção de uma obra – um grupo preparando a massa – outro grupo descarregando e empilhando tijolos – e o outro grupo fazendo a fundação.
Quinto momento; exercício construindo narrativas através da dança / expressão corporal /olhares: o diretor Fernando Cruz colocou músicas a principio tribais/indígenas (Guarani), possibilitando a diminuição da razão individual aumentando a cumplicidade do grupo e a percepção, no momento seguinte evidencia-se a liberdade coletiva, já com o espaço tomado pelo escuro (apagar das luzes/ somente luz de fundo), demonstrando uma ancestralidade inconsciente, através de formas de rituais, de cortejos, com deslocamento de linhas paralelas, fluxo rápido e devagar em conjunto, explorando sempre os planos e a extensão do corpo do ator. Ao tocar músicas indianas, foram construídas várias mandalas humanas que eram explorados os planos alto, médio e baixo, energia de celebração, abrir e fechar, unidade com subunidades, que se integravam entre si, com o lindo bailado, admirado de fora. As músicas com letras em português finalizou o processo, possibilitou a construção de narrativas; com um cortejo cheio de tesão, emocionante, que adentrou a rua surgindo assim um grito que ecoou aquele momento “A BANDA DE LÁ E BANDA DE CÁ”....
Esse quinto momento; trabalho de exaustão teve duração de duas horas e meia ininterruptas. Logo após fizemos uma roda de reflexão, onde cada um expôs o que sentiu durante todo o processo, a evolução de cada integrante e do coletivo, as desconstruções foram cada vez mais significativas, o corpo do ator mais exigido, à medida que os ensaios acontecem é exigido à sintonia das diferenças, utilizando linguagem que uni o grupo, as considerações finais foram feitas pelo diretor: ENERGIA COLETIVA; “AVALIAR O OUTRO COM MENOS RIGOR”, “EU ME PERCEBO E PERCEBO O OUTRO”, “ASSUMIR E TER RESPONSABILIDADE PELO QUE EU SINTO”, “EQUALIZAR/ HAMONIZAR”, “OCUPAÇÃO DO ESPAÇO”, “ENERGIA DO AFETO: MENTE+CORPO+ ESPÍRITO”, “CONSTRUÇÃO DO AFETO: COMPORTAMENTO, AÇÃO/PERCEPÇÃO”, “COLETIVO: TRABALHAR JUNTO, QUEM SOU E QUEM SOMOS”, “MODULAR ENERGIA”, “TEATRO AÇÃO CONJUNTA”.

Alê Moura



Teatro Imaginário Maracangalha 02/10/2012



1. Alongamento, concentração e foco 20 minutos.
2. Exercício de imaginação: andando na água na beira de um rio. Avistando o horizonte.  Subindo o morro. Escalando, sentindo as sensações. Chegada ao topo do morro, meditar, contemplar o horizonte, descida. Relaxar na água na beira do rio. Banhar-se.
3. Improvisação com música, criação de cenas, cenas coletivas.
4. Fernando Cruz disse: Conhecer. Percepção. Afeto. Expressão. Desconstruir o corpo. Descobrir o corpo criativo. Construir com outros corpos. Desapegar do corpo mecânico. Possibilidades de narrativas foram poucas. Percepção de coisas ao longe, contato, olhar. Música tem a ver com subjetividade. Elementos metafóricos.
5. Fernando: Água, morro, relação com Corumbá e Rio de Janeiro. Tem a ver com o autor. Inversão de gênero (opostos). Pipa no Ceú. Esculturas abstratas depois ganham significados, um só. Planos altos, efeitos do corpo. Manipulando o boneco. Extensão da imagem. Cortejo Junino. Corridas em bloco. Cortejo religioso / ritmo de cortejo (contraste).
6. Fernando: Encontros amorosos. Imagens não obvias. Corpo estendido. Metáfora do encontro. Ação estendida ocupando os planos. Passeata política / embate.
7. Fernando: possibilidades: opressor e o opositor. 2 lados da moeda. 2 blocos. 2 planos / contrastes. Opressão dos corpos. Massa humana. Coisas com movimentos leves. Pesados mais com poesias. Sai do panfleto. Música felicidade, roda. Centro, roda, cria camadas, extensões. Corpos movimentados com lápis, pincel. Ultimo: Catarse, epidemia, massa se coçando, nada óbvio. Crise coletiva. Abstração pode ser uma narrativa. Criou-se uma lógica na evolução. Saiu do óbvio. Corpo criativo apareceu mais.
8. Músicas bolero de Ravel, tango e prodigy.
9. Fernando: Alongamento disciplinado e individual / cada ator é responsável pelo seu alongamento. Sentir, respirar, inspirar, expirar, silencio. Sugestão: garrafa de água para cada ator.
10. Fernando: 1º exercício: acabou o rio, acabou a água e mais da metade ficou na água. Início truncado, se apoiando no nada. Mais entrega na música para romper o obvio. Autodesafio de preposição. Muito tempo gasto. Coletivo criador criou pouco. Processo é propor personagem, olhar com olho do personagem. Me enchergo, vejo o que está acontecendo e consigo antever. O personagem é o que tem que ver. Jogar com o personagem para não quebrar a imagem. A imagem foi criada e ai abandona, busca e sai. Perceber o contexto.
11. Fernando: questão política apareceu em apenas uma música. Muito calcada na infância e no baile. Faltam outras situações do cotidiano. Ampliar o repertório. Perceber o coletivo, o tempo da ação. A vida não é tão obvia assim. Possibilidades ricas de imagem, não se perder. Perceber o cotidiano com outro olhar. Surpreender-se consigo mesmo e com o outro. Se entregar na hora da música. Abstrair através de um gesto, descobrir alguma coisa. Se entregar mesmo, sem o oportunismo de esperar, observar e depois ir.
12. Fran Corona: gostou da coisa de partir do não obvio, a narrativa era construída a partir de movimentos quebrados fora do cotidiano. Coisas do cotidiano contada de uma forma não obvia. Uma vez ou outra se sentia perdida, pensava e tinha uma quebra.
13. Alê Moura: quando racionaliza, sentiu o mesmo, o grupo começou bem, entrou mais rápido. Cada encontro mais afetuoso, mais entregue.
14. Renderson Valentim: com os toques do ultimo encontro foram corrigidos algumas coisas, registrou alguns toques. Rolou mudanças de gêneros. Formação geométrica. Quando termina com o coletivo, energia da outra música começa melhor.
15. Kássia Rosa: novidade, tem muito que se desconstruir.
16.  Camilah Brito: sentiu o grupo mais entrosado individualmente, encaixou em quase todas, pensou menos, jogou mais, mais difícil para começar, olhava e sentiu que demorou pra começar.
17. Wesley Ramos:  preocupação muito grande em começar. Perdeu a apelação, fluiu o grupo. Saiu da água, floresta, arvore. Sugerir mais coisas bacanas. Preocupação de ficar criando. A situação sugeriu mais o abstrato, mais energético, desafio, se propôs pra fazer. Hoje rolou, tava nem ai. Desconforto. Repetiu a música, 3 músicas numa situação. Tempo fluiu, engrenagem, bolo coletivo.
18. Pietro Falcão: Estava menos ancioso, os toques fizeram  a diferença, gostou mais dos jogos abstratos, sentiu mais o coletivo.
19. Fernando: Compreensão do coletivo, treino, grau de energia.

PIETRO FALCÃO




Olá maracangalhos de plantão,

 Começaremos a postar aqui o registro da próxima montagem do teatro imaginário maracangalha, o espetáculo Areôtorare, trata da vida e obra do poeta modernista Lobivar Matos, que nasceu 11 de janeiro de 1915 em  Corumbá MT e faleceu em 1947 na cidade de Rio de Janeiro, cada dia o diário de bordo será feito por um integrante do grupo após os ensaios, e compartilhados para todos. Hoje será postado relatos dos dias 11 e 18 de setembro. Em breve postaremos também as fotos.

Abraços, Fran



Diário de Bordo – Teatro Imaginário Maracangalha, 11-09-2012.


1º Ensaio Espetáculo Areôtorare Lobivar Matos
Primeiro momento 15 minutos de aquecimento individual.
Segundo momento 20 minutos de aquecimento em Grupo
Terceiro momento 25 minutos de leitura e divisão do manifesto do livro Areôtorare.
Quarto momento 20 minutos de jogos teatrais de criação
Quinto momento 20 minutos de jogos teatrais de criação utilizando os Caixotes.
Quinto momento 40 minutos de produção de cenas, dividido em 04 grupos de 02 pessoas, se utilizando 04 categorias de indução (revolução, excitação, contextualização e transformação).
Sexto momento 30 minutos de montagem da cena utilizando a poesia manifesto.
Sétimo momento 20 minutos de relaxamento e finalização.

Renderson Valentim





Diário de Bordo – Teatro Imaginário Maracangalha, 25-09-2012.

O Ensaio começou com um alongamento individual, com duração de aproximadamente 30 minutos. Logo após nos foi proposto um exercício, ainda como forma de aquecimento, nele subimos uma longa escadaria imaginária, chegando a uma bela Catedral, com uma torre imensa, um céu azul cintilante e uma bela vista panorâmica da cidade. Depois descemos essa mesma escadaria, explorando cada vez mais o imaginário, exigindo cada vez mais de nós mesmos, intensificando nossa capacidade criativa. Chegando assim em uma praça, onde ocorria uma grande festa, essa festa fazia parte do próximo exercício, o diretor colocou uma seqüência de músicas sem as letras, apenas melodias, sendo que em cada uma deveríamos dançar e improvisar cenas individualmente ou no coletivo, sem utilizar a voz, apenas o corpo. Por se tratar de uma festa logo pensamos que essas músicas poderiam ser mais comuns como, marchinhas de carnaval, funk, porém de forma proposital, as músicas eram ciganas, dificultando o exercício. Fomos guiados pelo som e a cada música sentíamos mais a necessidade de interagir com o outro, no começo surgiu a resistência, o engessamento, mas entre uma música e outra, fomos nos conectando o que facilitou o próximo exercício, no qual as músicas já continham as letras, com o mesmo propósito de dançar e improvisar com a possibilidade de usar as próprias letras para criar as ações ou não. Nesse exercício o grupo já estava muito bem entrosado, as cenas porém, algumas vezes se repetiam, outras eram clichês, mas em compensação foram criadas cenas super interessantes, onde foram explorados os planos, alto, médio e baixo, os cortejos e suas possíveis formas, a extensão do corpo do ator, indo além de seus próprios limites corporais, saindo, de sua zona de conforto. Esse trabalho de exaustão teve duração de duas horas ininterruptas. Logo após fizemos uma roda de reflexão, onde cada um pôde expor o que sentiu. Durante todo esse processo eu pude constatar minha evolução pessoal como atriz, quebrando barreiras, exigindo de meu corpo mais do que ele normalmente me oferece, percebi que quando deixamos de racionalizar e passamos a sentir, as possibilidades fluem, a interação com o outro se torna orgânica. Assim aguçamos cada vez mais nossa capacidade de improvisar, valorizando a importância da exaustão.
Camilah Brito


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